Évora — Quinze Anos, Cinco Mandatos
Research Hub. Quinze anos de contas da Câmara Municipal de Évora — 2010 a 2024 — organizados por mandato: o que cada executivo herdou, o que decidiu, o que deixou atrás de si, e o que os índices económicos e sociais fizeram à sua volta. As contas de 2025 também aqui estão, como o ano que fica a cavalo da última mudança de executivo. As contas vêm dos relatórios publicados pelo próprio município para 2010 a 2024, lidos página a página; os valores de 2025 e a série independente de dívida do regulador são transportados do documento companheiro neste repositório com a sua proveniência original; os resultados eleitorais vêm do portal oficial de resultados e dos mapas do Diário da República; as séries socioeconómicas vêm do INE, do IEFP e do inquérito de ganhos do ministério. Cada valor abaixo tem uma linha em ledger.json, ao lado deste ficheiro, com o URL da fonte, o carimbo temporal da recolha e o texto exato — ou o cálculo — de onde foi lido.
Leia esta parte primeiro
Sete limites governam tudo o que se segue. Nenhum deles é um detalhe.
Um partido é dono das suas decisões, não de uma curva. Este documento separa dois tipos de afirmação e nunca os mistura. As decisões — entrar num programa de apoio do Estado, contratar um empréstimo, assinar um acordo de pagamento de dívida, fixar uma taxa de imposto — são atos de um executivo com nome, registados nas atas e nas contas, e aqui levam rótulo partidário. Os índices — dívida, taxas de execução, desemprego, empresas, turismo, ganhos, poder de compra — são mostrados por mandato e não são atribuídos a ninguém. O programa da troika, a pandemia, a transferência de novas competências para os municípios — a educação chegou a Évora em 2022 — e o ciclo económico nacional mexem cada um desses ponteiros independentemente de quem ocupa a câmara. Um partido é dono das suas decisões, não de uma curva, e herda as dos outros. Por isso nenhum dos mandatos abaixo é classificado.
«Dívida» não quer dizer a mesma coisa em cada ano da tabela. Antes da lei das finanças locais de 2013, o conceito legal era o endividamento líquido, calculado no relatório de gestão de cada ano; depois dela, a medida reportada é a dívida total de operações orçamentais, que inclui a quota-parte do município nas entidades em que participa. O município publica ainda um terceiro valor, a dívida global apurada, e um quarto, a dívida orçamental sem as entidades participadas. Durante vários anos, dois ou três destes conceitos coexistem no mesmo relatório com valores diferentes. Este documento imprime o conceito ao lado do valor da dívida de cada ano, imprime os valores rivais onde existem, e nunca escolhe um em silêncio.
O sistema contabilístico mudou por baixo da série. O município manteve as suas contas em POCAL na primeira parte do período e em SNC-AP na parte final. O relatório de 2021 diz, pelas suas próprias palavras, que o novo sistema faz os resultados parecerem piores do que o antigo, por causa da forma como trata as depreciações e amortizações. Os resultados antes e depois da transição não formam, por isso, uma série contínua, e a coluna do resultado da tabela das finanças deve ser lida como duas.
Um ano de contas foi publicado em digitalizações, e outro não foi publicado de todo. Todo o dossiê de contas de 2020 no sítio do município é uma digitalização sem camada de texto — é o único ano cujo dossiê publicado não traz texto nenhum, e esta extração não correu OCR, por regra. E para 2024 não existe nenhum documento de contas de 2024 no sítio do município: a página principal e o endereço de 2024 albergam hoje as contas de 2025, o índice de «anos anteriores» para em 2023, e o Internet Archive não guarda captura alguma de uma página de contas de 2024. Cada valor de 2020 e de 2024 abaixo vem, por isso, da coluna comparativa de um relatório posterior.
Um asterisco nas tabelas significa que o valor foi lido da coluna comparativa de um relatório posterior, e não de um documento do seu próprio ano. É o mesmo município a reportar, mas um ano depois, num relatório escrito pelo mesmo executivo sobre um ano cujas contas próprias nunca foram aprovadas — no caso de 2024, foram rejeitadas. O asterisco está colado ao valor no ledger, pelo que não pode cair na prosa. Cinco anos levam-no, no todo ou em parte.
Uma adaga significa que o valor foi recuperado de uma digitalização degradada. Aparece na secção sobre o plano de 2026; fora daí, não aparece. É um marcador da mesma família do asterisco. O corpo do relatório do plano extrai com limpeza; os seus anexos — o plano plurianual de investimentos e o plano de atividades, onde vivem as linhas dos projetos — são uma camada digitalizada em que dígitos e designações são frequentemente ilegíveis. Cada valor tirado dessa camada leva uma adaga, e a sua linha do ledger regista a recuperação: a leitura usada, a segunda passagem independente que concordou com ela, e a aritmética das próprias colunas do quadro que fecha sobre ela. As linhas que não foi possível recuperar honestamente ficaram de fora; são lacunas, e não zeros. Tal como o asterisco, a adaga está colada ao valor no ledger, pelo que a prosa não a pode perder.
O mandato que começou em 2025 não é avaliável aqui. Tomou posse a 2025-10-31. As suas primeiras contas serão as de 2026, devidas por volta da primavera de 2027. Aparece na secção das eleições, na lista de mandatos e na secção sobre o orçamento que escreveu para 2026 — que é um plano, e não um resultado; fora daí, não aparece.
Onde uma frase abaixo raciocina para lá do que uma fonte afirma, diz (inferência).
O essencial
Para quem levar daqui uma secção, é esta — cada valor tem o seu contexto completo mais abaixo.
| | |
|---|---|
| O arco político | Uma mudança de executivo em 2013 e outra em 2025, com doze anos de um mesmo executivo entre elas — duas maiorias absolutas, depois uma minoria de 2 em 7 mandatos |
| O arco financeiro | Excesso sobre o teto legal da dívida: €32 559 910 em janeiro de 2014, extinto em 2020; o índice de dívida do regulador desce de 242,6% para 105,5% sem uma interrupção |
| A era do resgate | Programa de apoio PAEL de €32 166 372, em que se entrou no primeiro mandato do período; empréstimo de saneamento financeiro de €32 500 000, contratado pelo executivo seguinte em 2016 |
| A herança, reexpressa | Dívida medida em €82 871 523 na mudança de executivo de 2013 — e revista em alta durante anos, até €95 082 510, à medida que passivos anteriores a 2013 foram aparecendo |
| O aperto de hoje | Prazo médio de pagamento em 137 dias; pagamentos em atraso de €4 976 172; dívida total de €54 379 035 — legal, com a descida parada |
| O ano por assinar | As contas de 2024 foram rejeitadas pela Câmara (2 votos a favor e 5 contra) e nunca foram certificadas externamente; não existe documento de contas de 2024 no sítio do município |
| A cidade à volta | Desemprego de dezembro 3 720 → 1 596; dormidas 312 696 → 709 328; poder de compra 118,65 → 111,47, a série que acaba abaixo de onde começou |
Três frases de orientação. Os quinze anos leem-se como um longo esforço de saneamento a partir de uma montanha de dívida cujo tamanho verdadeiro levou anos a apurar, conduzido ao longo de três mandatos da CDU depois de uma década do PS que acabou no resgate — e o último troço desse esforço, sob uma minoria de dois mandatos, parou em prazos de pagamento a alongar-se e num ano de contas que ninguém assinou. A cidade por baixo saiu-se bem na quase totalidade dos índices nacionais enquanto a sua câmara se desalavancava — e quanto disso pertence a cada executivo é exatamente o que este documento se recusa a afirmar. O raciocínio completo, e os limites que o governam, são as secções que se seguem.
Os cinco mandatos, e os dois anteriores
| Mandato | Presidente | Lista | Mandatos em 7 |
|---|---|---|---|
| 2001–2005 | José Ernesto d'Oliveira | PS | 4 |
| 2005–2009 | José Ernesto d'Oliveira | PS | 3 |
| 2009–2013 | José Ernesto d'Oliveira, depois Manuel Melgão a partir de 2013-05-01 | PS | 3 |
| 2013–2017 | Carlos Pinto de Sá | CDU | 4 |
| 2017–2021 | Carlos Pinto de Sá | CDU | 4 |
| 2021–2025 | Carlos Pinto de Sá | CDU | 2 |
| 2025– | Carlos Zorrinho | PS | 3 |
A câmara tem 7 mandatos. Antes de 2001 a câmara era do PCP/CDU, cujo presidente de 1976 a 2001 foi Abílio Dias Fernandes, segundo a lista de presidentes da associação nacional de municípios. As duas primeiras linhas acima são contexto: este documento avalia os quinze anos a partir de 2010, que é onde começam as contas legíveis.
As duas eleições de contexto, dos arquivos oficiais e dos mapas definitivos, porque a afirmação «o PS detinha Évora desde 2001» merece ficar registada e não ficar por ouvir dizer:
| 2001-12-16 | Votos | Percentagem | Mandatos |
|---|---|---|---|
| PS | 12 693 | 45,15% | 4 |
| PCP-PEV | 11 282 | 40,14% | 3 |
| PPD/PSD | 2 675 | 9,52% | 0 |
| CDS-PP | 468 | 1,66% | 0 |
| B.E. | 123 | 0,44% | 0 |
| MPT | 117 | 0,42% | 0 |
Participação de 61,39%, 28 110 votantes, para 7 mandatos.
| 2005-10-09 | Votos | Percentagem | Mandatos |
|---|---|---|---|
| PS | 11 029 | 43,30% | 3 |
| PCP-PEV | 8 389 | 32,94% | 3 |
| PPD/PSD | 3 757 | 14,75% | 1 |
| B.E. | 665 | 2,61% | 0 |
| CDS-PP | 370 | 1,45% | 0 |
| PPM | 76 | 0,30% | 0 |
Participação de 55,06%, 25 469 votantes, para 7 mandatos. A vitória de 2001 foi maioria absoluta; a de 2005 não foi.
Cinco eleições, contadas oficialmente
Cada valor desta secção é a votação para a câmara municipal no concelho de Évora, do portal de resultados da secretaria-geral do ministério da administração interna, cruzada com os mapas definitivos publicados no Diário da República. A votação para a assembleia municipal é outra eleição e não está aqui.
2009 — o PS mantém uma câmara dividida
| Lista | Votos | Percentagem | Mandatos |
|---|---|---|---|
| PS | 10 357 | 39,48% | 3 |
| PCP-PEV | 9 189 | 35,02% | 3 |
| PPD/PSD | 4 638 | 17,68% | 1 |
| B.E. | 742 | 2,83% | 0 |
| CDS-PP | 590 | 2,25% | 0 |
Participação de 54,52%, 26 236 votantes. O vencedor levou a presidência sem maioria absoluta e com o mesmo número de mandatos do segundo classificado.
2013 — a câmara muda de mãos
| Lista | Votos | Percentagem | Mandatos |
|---|---|---|---|
| PCP-PEV | 11 776 | 49,30% | 4 |
| PS | 6 199 | 25,95% | 2 |
| PPD/PSD–CDS-PP | 3 510 | 14,70% | 1 |
| B.E. | 934 | 3,91% | 0 |
Participação de 49,69%, 23 885 votantes. Realizada a 2013-09-29, a meio do programa de ajustamento, esta é a maior viragem isolada do período.
2017 — a maioria é renovada
| Lista | Votos | Percentagem | Mandatos |
|---|---|---|---|
| PCP-PEV | 9 414 | 40,52% | 4 |
| PS | 6 131 | 26,39% | 2 |
| PPD/PSD | 3 463 | 14,90% | 1 |
| CDS-PP–MPT–PPM | 1 362 | 5,86% | 0 |
| B.E. | 1 113 | 4,79% | 0 |
| PAN | 499 | 2,15% | 0 |
Participação de 48,90%, 23 234 votantes. A contagem de mandatos não muda face a 2013, embora a percentagem vencedora desça. Estas duas eleições produziram as únicas maiorias absolutas das cinco aqui avaliadas — um facto retirado de um campo booleano dos ficheiros oficiais de resultados, e não calculado a partir de qualquer valor deste documento, e declarado como tal no ledger.
2021 — a maioria passa a minoria
| Lista | Votos | Percentagem | Mandatos |
|---|---|---|---|
| PCP-PEV | 6 413 | 27,44% | 2 |
| PS | 6 140 | 26,27% | 2 |
| PPD/PSD–CDS-PP–MPT–PPM | 4 458 | 19,07% | 2 |
| NC/RIR | 2 972 | 12,71% | 1 |
| CH | 1 591 | 6,81% | 0 |
| B.E. | 888 | 3,80% | 0 |
Participação de 49,84%, 23 374 votantes. O próprio município refere-se ao vereador eleito pela lista NC/RIR como pertencendo ao Movimento Cuidar de Évora.
É esta a aritmética que decide os quatro anos seguintes, e vale a pena dizê-la com clareza: a lista vencedora tem 2 dos 7 mandatos. O seu presidente mantém a presidência; o seu executivo não mantém a maioria. Quatro anos depois, essa aritmética produz a rejeição de um ano de contas, que a secção de mandato abaixo expõe.
2025 — a câmara muda outra vez de mãos
| Lista | Votos | Percentagem | Mandatos |
|---|---|---|---|
| PS | 8 169 | 29,83% | 3 |
| PPD/PSD–CDS-PP–PPM | 8 013 | 29,26% | 2 |
| PCP-PEV | 4 332 | 15,82% | 1 |
| CH | 3 816 | 13,94% | 1 |
| MCE | 1 856 | 6,78% | 0 |
| B.E. | 343 | 1,25% | 0 |
| IL | 252 | 0,92% | 0 |
Participação de 59,41%, 27 383 votantes — a participação mais alta das cinco, e a primeira eleição do período em que o presidente cessante não se candidatou.
A outra câmara, e o mapa
A câmara não foi o órgão isolado eleito nesse dia. A assembleia municipal é um boletim de voto separado e, em 2025, devolveu 21 mandatos de eleição direta. A tabela abaixo são esses mandatos de eleição direta, e nada mais: este documento não faz afirmação alguma sobre a composição total da assembleia, porque a evidência lida para ela cobre a votação nas listas e não cobre quem mais lá tem assento.
| Lista | Mandatos de eleição direta, 2025 |
|---|---|
| PS | 7 |
| PPD/PSD–CDS-PP–PPM | 7 |
| PCP-PEV | 3 |
| CH | 3 |
| MCE | 1 |
O resultado da assembleia de 2021 está no mesmo ficheiro de evidência, mas é a contagem provisória do portal de resultados para esse órgão e nunca foi confrontado com um mapa definitivo, como aconteceu com os valores da câmara, pelo que não é impresso aqui.
Duas coisas sobre a votação para a câmara merecem a aritmética. A primeira é quão renhida foi: a lista vencedora terminou 156 votos à frente da coligação que ficou atrás dela, valor calculado aqui a partir das duas linhas de votos já impressas acima. A segunda é a participação, que subiu quase dez pontos entre as duas eleições — de 49,84% para 59,41%.
O concelho vota como doze freguesias, e elas não votam da mesma maneira. Somados pelas doze, os votos das listas e a participação reconciliam exatamente com os totais do concelho impressos acima — nada se perde nem se acrescenta entre os dois níveis. Dentro delas, a lista do PS liderou a votação para a câmara em 8 das doze freguesias, a coligação PPD/PSD–CDS-PP–PPM em 3, e a lista do PCP-PEV em 1 — Nossa Senhora da Graça do Divor.
O mapa é mais largo do que a margem. Na Malagueira e Horta das Figueiras a coligação teve 3 183 votos contra os 2 783 da lista vencedora — uma diferença de 400 nessa freguesia sozinha, contra uma margem de 156 em todo o concelho (inferência; os dois valores são linhas do ledger e ambos são diferenças de votos impressos, mas a comparação entre eles é deste documento).
Como a presidência mudou de mãos, na prática
| De | Até | Presidente | Lista |
|---|---|---|---|
| 2002 | 2013-04-30 | José Ernesto d'Oliveira | PS |
| 2013-05-01 | 2013-10-18 | Manuel Melgão | PS |
| 2013-10-18 | 2025-10-31 | Carlos Pinto de Sá | CDU |
| 2025-10-31 | em funções | Carlos Zorrinho | PS |
Duas coisas que esta tabela regista e uma tabela de eleições não consegue. Em primeiro lugar, o mandato de 2013 não correu até ao fim com o presidente eleito em 2009: renunciou com efeitos a 2013-05-01, cerca de cinco meses antes do fim do mandato, e o vice-presidente assumiu como presidente interino até o novo executivo ser instalado a 2013-10-18 — a mesma pessoa encabeçou depois a lista do PS na eleição de setembro. Em segundo lugar, são as datas de instalação, e não as das eleições, que marcam o início efetivo dos mandatos: 2013-10-18, 2017-10-20, 2021-10-15 e 2025-10-31.
O nome legal completo do presidente interino é uma pequena questão em aberto. A lista de presidentes da associação de municípios e o ficheiro de candidatos do ministério dão dois nomes completos diferentes para o mesmo homem; o relatório do próprio município chama-lhe Manuel Melgão, que é a forma usada aqui. O nome legal completo é [verify]; a identidade — o vice-presidente que assumiu a presidência e depois encabeçou a lista — é consistente nas três fontes oficiais.
Onde as contagens oficiais discordam entre si
O portal de resultados publica contagens provisórias; o Diário da República publica os mapas definitivos meses depois. Em três eleições das cinco, os dois divergem ligeiramente. A atribuição de mandatos e a lista vencedora são idênticas em cada fonte e em cada ano; só os totais de votos se movem.
| Eleição | Valor | Portal de resultados | Diário da República |
|---|---|---|---|
| 2009 | Votos do PS | 10 357 | 10 605 |
| 2009 | Votantes | 26 236 | 26 484 |
| 2017 | Votos do PS | 6 131 | 6 208 |
| 2017 | Votos do PPD/PSD | 3 463 | 3 502 |
| 2017 | Votos do PCP-PEV | 9 414 | 9 413 |
| 2017 | Votantes | 23 234 | 23 269 |
| 2021 | Votos do PS | 6 140 | 6 144 |
| 2021 | Votos do PCP-PEV | 6 413 | 6 424 |
| 2021 | Votantes | 23 374 | 23 339 |
O mapa de 2013 coincide com o portal em cada campo extraído. A célula de eleitores inscritos do próprio mapa de 2021 extraiu corrompida e a atribuição das duas colunas partidárias mais próximas foi inferida por consistência de percentagens, em vez de lida de um cabeçalho intacto, pelo que a linha de 2021 desta tabela é a menos sólida das três (inferência, e o ficheiro de evidência di-lo). O mapa definitivo de 2025 é uma imagem digitalizada e não foi extraído por máquina de todo; os valores de 2025 assentam no portal de resultados e nas páginas do próprio município, ambos oficiais.
O executivo instalado em 2025
| Lista | Mandatos |
|---|---|
| PS | 3 |
| PPD/PSD–CDS-PP–PPM | 2 |
| CDU | 1 |
| CH | 1 |
Mandato a mandato
Cada mandato abaixo tem as mesmas três partes. Herdou é o estado dos indicadores no ano de entrada. Decidiu contém atos desse executivo, cada um sustentado por uma linha citada de um documento municipal. Deixou é o estado dos indicadores no ano de saída. Os indicadores não são um veredicto sobre o executivo; são as condições que o seguinte herdou.
2009–2013 — PS
O que herdou. Nada de mensurável a partir desta evidência. Os relatórios de gestão de 2010 a 2014 têm todos camadas de texto corrompidas — as fontes não trazem mapa de carateres, pelo que uma extração de texto devolve glifos ilegíveis — e esta extração não correu OCR, por regra. O que sobrevive dos primeiros anos são as demonstrações de fluxos de caixa e de resultados publicadas em separado, e é por isso que os três primeiros anos da tabela das finanças têm três colunas preenchidas e cinco vazias.
O que decidiu. Uma decisão deste mandato domina tudo o que vem depois dela: a entrada no Programa de Apoio à Economia Local, cujo empréstimo está registado nas contas em €32 166 372. As duas primeiras tranches foram reconhecidas em 2013 e a última em 2014. O relatório de 2016 diz o que o dinheiro fez: €19 032 188 dele, ou 60%, serviram para pagar faturas devidas à Águas do Centro Alentejo.
Uma cautela que pertence a esta secção e não às tabelas: cada frase do parágrafo acima tem por fonte relatórios escritos pelo executivo que se seguiu. Os relatórios da era PS são precisamente os ilegíveis. Os valores são o relato do sucessor sobre a decisão do antecessor, e devem ser lidos como tal.
O que deixou. O executivo que entrou apurou a dívida global do município a 2013-10-31 — a data de referência que a sua própria tabela usa, duas semanas depois de tomar posse — em €82 871 523. Esse valor não ficou quieto. À medida que passivos anteriores a outubro de 2013 foram aparecendo em anos posteriores e sendo aceites como legítimos, o mesmo executivo reexpressou três vezes a dívida que herdara:
| Declarado no relatório de | Dívida no início do mandato |
|---|---|
| 2015 | €87 682 770 |
| 2017 | €92 993 822 |
| 2021 | €95 082 510 |
As parcelas que compuseram essa reexpressão foram registadas ano a ano:
| Registado em | Dívida anterior a outubro de 2013 registada de novo |
|---|---|
| 2014 | €3 203 586 |
| 2015 | €1 607 661 |
| 2016 | €1 971 945 |
| 2017 | €3 339 107 |
| 2018 | €1 502 |
| 2019 | €1 928 605 |
| 2021 | €158 581 |
A maior parcela isolada dessa sequência é a de 2017, e quase tudo — €3 281 097 — são juros de mora devidos à empresa regional de águas em processo judicial. Outros €1 680 443 da mesma natureza, devidos ao instituto nacional da habitação por cinquenta e quatro fogos comprados em 2004, estão na empresa municipal de habitação e aparecem apenas nas contas consolidadas.
2013–2017 — CDU
O que herdou. Receita cobrada em 2013 de €64 651 456 — inflacionada pela chegada das tranches do empréstimo do programa de apoio — contra uma despesa paga de €60 553 851. Dívida, no conceito que o seu próprio relatório usava, de €82 415 794*. Um prazo médio de pagamento a fornecedores de 755* dias, o mais alto de toda a série. Um resultado líquido de menos €12 706 874.
O que decidiu.
- Pagou ao Fundo de Apoio Municipal em 2015: €215 346, executado na totalidade.
- Contratou em 2016 um empréstimo de saneamento financeiro de €32 500 000, recebido e aplicado na totalidade dentro do ano para liquidar faturas vencidas.
- Liquidou com ele a dívida acumulada da água. A tabela do próprio relatório para a dívida às empresas regionais de água move-se assim:
| A 31 de dezembro | Dívida à AdCA e à AdLVT |
|---|---|
| 2013 | €22 824 867 |
| 2014 | €21 508 388 |
| 2015 | €27 246 034 |
| 2016 | €6 542 006 |
- Aprovou um acordo de pagamento com a Águas de Lisboa e Vale do Tejo na reunião de câmara de 2016-12-28 e na sessão da assembleia municipal de 2017-02-17. À data do relatório de 2016 o acordo estava negociado e aceite mas ainda não assinado, e parte do montante faturado estava impugnada em tribunal.
O que deixou. Receita cobrada em 2017 de €48 002 980, despesa paga de €44 772 391, investimento de €2 255 111 — o ano de investimento mais baixo de toda a série legível. Dívida de €69 532 414. Um prazo médio de pagamento descido para 89 dias, vindo de 755*. O incumprimento do teto legal da dívida estreitou-se mas não fechou: o excesso estava em €12 263 435 no fim de 2017, contra €32 559 910 no início do mandato.
Um número deste mandato precisa de levar a sua nota de rodapé ao lado. O resultado de 2016, de menos €3 337 288, inclui, como custo de 2016, IVA referente aos anos de 2009 a 2011 — €1 712 963. O relatório faz a subtração e apresenta o valor corrigido como um prejuízo de €1 984 259. Os dois números são do próprio município; este documento imprime ambos e não escolhe entre eles.
2017–2021 — CDU
O que herdou. Os indicadores de 2017 acima, e uma dívida ainda acima do teto legal.
O que decidiu.
- Renegociou a dívida da água depois de perder em tribunal. Na sequência de uma decisão desfavorável do tribunal administrativo e fiscal de Beja no final de 2018, sobre as águas pluviais que chegam às estações de tratamento, o município acordou em 2019 um plano de pagamento com a Águas do Vale do Tejo no total de €7 758 276, dos quais €4 720 424 eram dívida reconhecida em consequência dessa decisão.
- Refinanciou o empréstimo do programa de apoio. Em 2019 contratou um empréstimo de substituição de €22 747 399, recebido e aplicado na totalidade para amortizar antecipadamente o empréstimo original.
- Baixou duas vezes a taxa do IMI, e disse porquê: depois de liquidado o empréstimo do programa de apoio, a taxa passou de 0,45% para 0,44% em 2020, e para 0,43% em 2021.
- Criou em 2020 um programa e um fundo municipal de emergência COVID-19, onde o relatório diz terem-se concentrado as principais medidas, investimentos e despesas da pandemia.
O que deixou. Receita cobrada em 2021 de €57 113 925, despesa paga de €52 290 432, investimento de €7 537 452 — o ano de investimento mais alto da série legível. Dívida de €57 293 550. Um prazo médio de pagamento de 49 dias. E o limiar em que todo este período assenta: o excesso sobre o teto legal da dívida desaparece. A série do próprio relatório para o montante em excesso corre assim, em que um valor negativo é capacidade de endividamento e não excesso:
| Em | Montante em excesso sobre o teto |
|---|---|
| janeiro de 2014 | €32 559 910 |
| dezembro de 2014 | €29 755 643 |
| dezembro de 2015 | €26 422 446 |
| dezembro de 2016 | €20 928 244 |
| dezembro de 2017 | €12 263 435 |
| dezembro de 2018 | €6 276 132 |
| dezembro de 2019 | €943 664 |
| dezembro de 2020 | capacidade de €4 948 806 |
| dezembro de 2021 | capacidade de €7 974 708 |
Servir os empréstimos de médio e longo prazo custou €4 877 620 só em 2021.
Dois anos dos quatro deste mandato são os da pandemia, e os valores de 2020 na tabela das finanças levam todos o asterisco comparativo, porque o dossiê de 2020 publicado não tem texto. Ler os números de investimento e de receita de 2020 e 2021 como um veredicto sobre o executivo seria um erro de categoria do tipo que a secção de abertura avisa.
2021–2025 — CDU, em minoria
O que herdou. Os indicadores de 2021 acima — aquele pico de investimento, o prazo médio de pagamento mais curto desde o início do período, e os primeiros anos com capacidade de endividamento. Herdou também uma aritmética: a lista do presidente tinha 2 dos 7 mandatos.
O que decidiu.
- Ganhou para Évora o título de Capital Europeia da Cultura 2027 em 2022, por decisão de um júri internacional, num processo concorrencial entre 12 cidades portuguesas; a estrutura de missão foi formada e a construção do programa começou em 2023.
- Converteu a dívida antiga da água em dívida bancária. A Águas do Vale do Tejo cedeu ao Banco Europeu de Investimento, com autorização do município, os créditos dos dois acordos de regularização de dívida — €6 790 854 do que era dívida a fornecedores passou a ser dívida financeira ao banco.
- Contratou um empréstimo para investimento de €3 000 000, visado pelo Tribunal de Contas na sessão de 2024-06-21, do qual foram utilizados €1 215 971 em 2024 e €759 313 em 2025.
O que aconteceu às suas contas. A aritmética da minoria produziu a sua consequência no último ano do mandato. A opinião do auditor sobre as contas de 2025 regista que a proposta de prestação de contas de 2024 foi rejeitada pela própria Câmara na reunião de 2025-05-28 — 2 votos a favor, 5 contra — e que daí resultou a emissão de uma Declaração de Impossibilidade de Certificação Legal das Contas para 2024. Esses dois números são a divisão de mandatos de 2021 lida em voz alta. O documento companheiro neste repositório expõe o relato do auditor por inteiro; aqui importa como o facto de governação do mandato. Nunca foi publicado nenhum documento de contas de 2024, e cada valor de 2024 neste documento é uma coluna comparativa do relatório de 2025.
O que deixou. A dívida subiu em 2024, de €50 432 431 para €54 680 636*, depois de ter caído em cada um dos nove anos anteriores, medida no conceito que os relatórios usam a partir de 2014. O prazo médio de pagamento, que tinha atingido os 22 dias em 2023 — o mais baixo de toda a série — voltou aos 104* dias em 2024 e aos 137 dias em 2025. As contas fecharam 2025 com pagamentos em atraso de €4 976 172, pelo segundo ano consecutivo.
As contas de 2025 ficam a cavalo da mudança de executivo: cobrem um ano em que este executivo governou até 2025-10-31 e o seguinte a partir dessa data. Estão impressas na tabela das finanças como um ano inteiro, porque é assim que existem, e não são atribuídas nem a um mandato nem ao outro.
2025– — PS
Não avaliável. O executivo tomou posse a 2025-10-31 com 3 dos 7 mandatos, frente a 2 da coligação em segundo lugar, 1 da CDU e 1 do CH. O seu primeiro ano financeiro completo é 2026 e as suas primeiras contas são devidas por volta da primavera de 2027. Qualquer avaliação dele antes de essas contas existirem seria uma previsão, e este documento não faz previsões.
Duas câmaras, e em ambas aquém da maioria. A aritmética com que este executivo governa atravessa os dois órgãos eleitos, e vale a pena dizê-lo uma vez. Na câmara, a sua lista tem 3 dos 7 mandatos. Na assembleia municipal, a mesma lista tem 7 dos 21 mandatos de eleição direta, a par da coligação que ficou atrás dela. Que os dois órgãos atuam sobre os mesmos processos não é aqui uma suposição: as secções acima registam um acordo de pagamento com a empresa regional da água aprovado pela câmara na reunião de 2016-12-28 e pela assembleia municipal na sessão de 2017-02-17, e registam a própria câmara a rejeitar um ano de contas em 2025. As contas anuais e o endividamento seguem esse mesmo caminho (inferência; os números de mandatos são registo oficial, o caminho é lido dos atos que este documento já imprimiu e não de qualquer diploma aqui citado).
Os índices ao longo dos mandatos
As finanças municipais, 2010 a 2025
As fronteiras de mandato estão marcadas na tabela. Os valores marcados com asterisco foram lidos da coluna comparativa de um relatório posterior. Um travessão significa que o valor não está disponível em documento legível algum desse ano, e não que seja zero. Os resultados estão impressos como prejuízos, salvo quando levam sinal positivo.
| Ano | Receita cobrada | Despesa paga | Investimento | Pessoal | Dívida | PMP (dias) | Resultado |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| **Mandato 2009–2013** | |||||||
| 2010 | €48 550 582 | €48 669 972 | — | — | — | — | −€15 651 235 |
| 2011 | €41 796 828 | €41 566 242 | — | — | — | — | −€14 013 178 |
| 2012 | €40 973 200 | €41 177 584 | €3 747 066* | €16 879 562* | €74 356 526* | — | −€10 703 160 |
| 2013 | €64 651 456 | €60 553 851 | €5 193 558* | €18 020 985* | €82 415 794* | 755* | −€12 706 874 |
| **Mandato 2013–2017** | |||||||
| 2014 | €49 456 439 | €52 513 859 | €4 120 828* | €18 166 398* | €75 309 224* | 635* | −€7 331 402* |
| 2015 | €43 223 967 | €42 295 243 | €5 375 578 | €17 711 101 | €77 198 306 | 575 | −€4 890 006 |
| 2016 | €77 313 739 | €72 783 156 | €5 945 693 | €17 744 882 | €74 452 174 | 526 | −€3 337 288 |
| 2017 | €48 002 980 | €44 772 391 | €2 255 111 | €17 657 553 | €69 532 414 | 89 | −€4 169 343 |
| **Mandato 2017–2021** | |||||||
| 2018 | €48 499 802 | €46 463 400 | €3 609 579 | €18 651 929 | €68 518 752 | 99 | +€2 186 031 |
| 2019 | €73 108 354 | €71 458 711 | €3 469 309 | €19 257 127 | €64 168 865 | 133 | −€3 073 382 |
| 2020 | €48 295 924* | €44 987 164* | €4 533 844* | €18 750 967* | €60 481 588* | 77* | −€4 002 857* |
| 2021 | €57 113 925 | €52 290 432 | €7 537 452 | €19 100 045 | €57 293 550 | 49 | −€4 392 564 |
| **Mandato 2021–2025** | |||||||
| 2022 | €60 695 430 | €57 057 833 | €4 913 568 | €23 192 903 | €53 488 434 | 64 | −€1 573 391 |
| 2023 | €63 799 967 | €62 097 742 | €3 246 822 | €27 392 931 | €50 432 431 | 22 | −€3 416 940 |
| 2024 | €66 509 640* | €64 512 265* | €4 752 427* | €28 333 363* | €54 680 636* | 104* | −€4 591 039* |
| **A cavalo da mudança de executivo de 2025** | |||||||
| 2025 | €67 263 297 | €65 565 050 | €5 104 307 | €30 438 432 | €54 379 035 | 137 | −€2 443 292 |
Quatro coisas sobre esta tabela, antes que alguém lhe leia uma tendência.
A coluna da receita não tem o mesmo conceito ao longo de todo o período. Para 2010 a 2014 é a receita orçamental recebida tal como a demonstração de fluxos de caixa a imprime; a partir de 2015 é o total do quadro de execução orçamental, que na maioria desses anos inclui explicitamente o saldo de gerência transitado do ano anterior. Os dois estão próximos mas não são idênticos, e a diferença é o saldo que transita.
Três dos anos da coluna da receita são anos de empréstimo. Os valores de 2013 levam as tranches do programa de apoio, os de 2016 o empréstimo de saneamento financeiro, os de 2019 o empréstimo de substituição. Em cada um desses três anos a coluna da receita dá um degrau para cima e o ano seguinte devolve o degrau, que é o que um empréstimo parece numa tabela de caixa e não o que parece um bom ano (inferência; os relatórios afirmam cada empréstimo e cada total, não o padrão).
A coluna do pessoal dá um degrau acentuado entre 2021 e 2023, e o relatório de 2023 dá a razão e data-a. Foram transferidas para o município competências na educação, na saúde e na ação social, com a educação a produzir efeitos em abril de 2022; a transferência da educação acrescentou, sozinha, €3 856 585 de transferências correntes em 2022 face a 2021, e o relatório diz com clareza que receita vinda de competências transferidas implica um aumento correspondente de despesa. Este documento não tenta repartir o degrau do pessoal entre essa transferência e tudo o resto, porque nada do que aqui foi lido o reparte.
A coluna do resultado são duas séries, e não uma, por causa da transição de POCAL para SNC-AP, e nela aparece apenas um ano positivo.
O pessoal, contado
A coluna do pessoal acima é dinheiro. Esta é gente. Os relatórios de gestão de 2022 e de 2023 imprimem cada um uma série de efetivos, e o de 2023 prolonga-a por mais um ano; a tabela abaixo é a versão do relatório de 2023, que reimprime sem alteração cada ano anterior da tabela do relatório de 2022. A coluna da variação é a do próprio relatório, e o seu sinal está escrito aqui como um glifo ao lado do valor.
| Ano | Trabalhadores a 31 de dezembro | Variação no ano |
|---|---|---|
| **Mandato 2009–2013** | ||
| 2012 | 1 088 | — |
| 2013 | 1 064 | −24 |
| **Mandato 2013–2017** | ||
| 2014 | 1 049 | −15 |
| 2015 | 1 021 | −28 |
| 2016 | 988 | −33 |
| 2017 | 1 022 | +34 |
| **Mandato 2017–2021** | ||
| 2018 | 1 106 | +84 |
| 2019 | 993 | −113 |
| 2020 | 987 | −6 |
| 2021 | 1 023 | +36 |
| **Mandato 2021–2025** | ||
| 2022 | 1 329 | +306 |
| 2023 | 1 338 | +9 |
Os mesmos relatórios desagregam o total por grupo profissional. No final de 2022: 22 dirigentes, 142 técnicos superiores, 243 assistentes técnicos, 819 assistentes operacionais, 9 na informática e 94 noutras situações. No final de 2023: 21 dirigentes, 215 técnicos superiores, 261 assistentes técnicos, 812 assistentes operacionais, 10 na informática e 19 noutras situações.
Leiam-se as duas colunas em conjunto e a forma é clara. Entre 2012 e 2021 o pessoal passou de 1 088 para 1 023 — uma década de efetivos estáveis ou em queda, enquanto a despesa com pessoal da tabela das finanças acima subia no mesmo intervalo, de €16 879 562* para €19 100 045. Depois um ano muda o patamar: mais 306 trabalhadores em 2022.
O relatório de 2022 explica ele próprio esse degrau, no parágrafo imediatamente acima da sua tabela. O acréscimo face ao ano anterior é ali atribuído, maioritariamente e pelas palavras do relatório, à integração do pessoal não docente efetuada no âmbito da transferência de competências na área da educação — num total de 309 trabalhadores, aos quais, diz, acrescem os trabalhadores admitidos ou regressados e as saídas efetivas durante o ano, e é por isso que a variação líquida na tabela não é o mesmo valor. O degrau do pessoal na tabela das finanças e o degrau dos efetivos aqui são, portanto, o mesmo acontecimento, e são os relatórios do próprio município que fazem a ligação, do lado da despesa como do lado dos quadros.
As mesmas páginas discordam de si próprias uma vez, e isso está impresso aqui como este documento imprime cada discordância de fonte. O relatório de 2022 diz que saíram 203 trabalhadores nesse ano e, na mesma página, lista as saídas por carreira; essas cinco parcelas somam 201. A diferença de dois trabalhadores não é explicada em parte alguma do relatório nem reconciliada em qualquer outro ponto dele. Nem um nem outro foi ajustado aqui. A lista equivalente do relatório de 2023 soma o total que declara.
Há ainda uma diferença entre os dois relatórios de natureza puramente tipográfica: o relatório de 2022 imprime a sua própria célula de efetivos de 2022 sem o espaço de milhar que usa nas restantes linhas do mesmo quadro, e a reimpressão do relatório de 2023 repõe-no. O valor é idêntico nos dois, e não houve reexpressão de ano algum da série entre eles.
O que «dívida» quer dizer em cada ano
O conceito não é constante, por isso é impresso. Estas são as designações da própria fonte, nas palavras da própria fonte.
| Anos | Conceito, como o relatório lhe chama |
|---|---|
| 2010–2011 | endividamento líquido — não extraível; o cálculo está nos relatórios ilegíveis |
| 2012–2013 | Dívida Orçamental — curto prazo mais médio e longo prazo, excluindo entidades participadas |
| 2014 | Dívida Global Apurada a 31 de dezembro |
| 2015–2024 | Dívida Total de Operações Orçamentais — o conceito da lei das finanças, incluindo a quota-parte das entidades participadas |
E onde o mesmo ano tem mais do que um valor, estão aqui impressos todos. Para 2014, três:
| Conceito | Valor para 2014 | Onde |
|---|---|---|
| Dívida global apurada a 31 de dezembro | €75 309 224 | repetido nos relatórios de 2016 e 2017 e de novo em 2018 e 2021 |
| Dívida orçamental, excluindo entidades participadas | €75 509 056 | o quadro de evolução do relatório de 2015 |
| Dívida total de operações orçamentais | €77 739 225 | os quadros de evolução dos relatórios de 2018 e 2021 |
Para 2015 o mesmo relatório imprime €77 198 306 no conceito da lei das finanças e €74 882 512 como dívida apurada — uma diferença da quota-parte das entidades participadas. Para 2020 o relatório imprime o total em €60 481 588* e a componente do próprio município em dois sítios que não coincidem: €60 282 480,32 num quadro e €60 282 480,38 noutro, a seis cêntimos de distância. E a série do prazo de pagamento tem o mesmo problema: o relatório de 2022 regista 64 dias para 2022, e a série do próprio relatório de 2025 dá 69 dias para o mesmo ano e para o mesmo indicador do regulador. Os dois registos ficam de pé.
A comparação que as contas fazem com a lei é a do teto. No fim de 2015 o município estava em incumprimento em €26 117 439. No seu relatório de 2018 o executivo declara a sua própria redução da dívida global, medida de outubro de 2013 ao fim de 2018, em €27 278 505, ou 29,3%.
A dívida vista de fora
O regulador publica o mesmo total de dívida da lei das finanças por município, a partir da sua própria recolha, pelo que a série abaixo não é o município a relatar sobre si próprio. Ao lado de cada valor está o índice de dívida — a dívida em percentagem da média de receita de três anos que define o limite legal, cujo teto é 150%. As duas colunas são transportadas do documento companheiro com a sua proveniência original.
| Ano de contas | Dívida total (DGAL) | Índice de dívida |
|---|---|---|
| 2014 | €77 961 663 | 242,6% |
| 2015 | €77 698 527 | 228,2% |
| 2016 | €74 760 717 | 208,3% |
| 2017 | €69 826 899 | 182,0% |
| 2018 | €66 243 125 | 165,7% |
| 2019 | €64 390 566 | 152,8% |
| 2020 | €64 827 142 | 148,6% |
| 2021 | €61 737 315 | 141,9% |
| 2022 | €58 379 210 | 130,3% |
| 2023 | €55 862 259 | 118,1% |
| 2024 | €54 681 562 | 105,5% |
Leia a coluna do índice de cima a baixo: só a partir de 2020 fica abaixo do teto legal, e todos os anos da série do regulador estão acima da média de receita. O índice desce em cada ano da tabela, ao longo de três mandatos — todos do mesmo partido, e é exatamente por isso que a secção de abertura se recusa a classificar curvas.
Dois relatos de um mesmo conceito legal nem sempre concordam, e a diferença merece ser impressa em vez de alisada. A coluna da esquerda abaixo é o valor que o relatório de cada ano imprime; a coluna do meio é a do regulador; a coluna da direita é a aritmética entre elas, calculada aqui a partir dessas duas linhas do ledger.
| Ano | Os relatórios | O ficheiro do regulador | Diferença |
|---|---|---|---|
| 2015 | €77 198 306 | €77 698 527 | €500 221 |
| 2016 | €74 452 174 | €74 760 717 | €308 543 |
| 2017 | €69 532 414 | €69 826 899 | €294 485 |
| 2018 | €68 518 752 | €66 243 125 | −€2 275 627 |
| 2019 | €64 168 865 | €64 390 566 | €221 701 |
| 2020 | €60 481 588* | €64 827 142 | €4 345 554 |
| 2021 | €57 293 550 | €61 737 315 | €4 443 765 |
| 2022 | €53 488 434 | €58 379 210 | €4 890 776 |
| 2023 | €50 432 431 | €55 862 259 | €5 429 828 |
| 2024 | €54 680 636* | €54 681 562 | €926 |
Os dois ficam a menos de mil euros um do outro em 2024 e a algumas centenas de milhares nos anos até 2019, com 2018 como exceção em sentido contrário. De 2020 a 2023 ficam a quatro ou cinco milhões de euros de distância. Nada do que foi lido para este documento explica essas diferenças; não houve ajuste de uma série para caber na outra, e cada valor de dívida citado neste documento diz de qual das duas veio.
População, trabalho, empresas e visitantes
Estas séries são estatística nacional, não contas municipais. Estão impressas por fronteira de mandato e não são atribuídas a ninguém, pelas razões da secção de abertura. O desemprego registado é o stock de dezembro publicado pelo instituto do emprego, não uma média anual. O ganho médio mensal é o inquérito de ganhos do ministério, publicado através do instituto de estatística.
| Ano | População | Desempregados inscritos (dezembro) | Empresas | Dormidas | Ganho médio mensal |
|---|---|---|---|---|---|
| **Mandato 2009–2013** | |||||
| 2009 | — | 2 573 | 7 303 | — | €940 |
| 2010 | — | 2 567 | 6 984 | — | €992 |
| 2011 | 56 582 | 2 893 | 6 722 | 312 696 | €1 002 |
| 2012 | 56 247 | 3 745 | 6 421 | 309 544 | €1 020 |
| 2013 | 55 847 | 3 720 | 6 306 | 330 149 | €1 035 |
| **Mandato 2013–2017** | |||||
| 2014 | 55 416 | 2 996 | 6 298 | 375 983 | €1 039 |
| 2015 | 55 123 | 2 727 | 6 410 | 458 925 | €1 037 |
| 2016 | 54 783 | 2 502 | 6 564 | 516 066 | €1 043 |
| 2017 | 54 490 | 1 754 | 6 838 | 585 931 | €1 078 |
| **Mandato 2017–2021** | |||||
| 2018 | 54 270 | 1 440 | 7 028 | 645 404 | €1 099 |
| 2019 | 54 220 | 1 443 | 7 059 | 659 561 | €1 122 |
| 2020 | 53 885 | 1 928 | 6 887 | 299 528 | €1 167 |
| 2021 | 55 711 | 1 286 | 7 118 | 396 696 | €1 216 |
| **Mandato 2021–2025** | |||||
| 2022 | 56 917 | 1 209 | 7 416 | 622 819 | €1 282 |
| 2023 | 58 070 | 1 313 | 7 603 | 694 845 | €1 370 |
| 2024 | 58 661 | 1 596 | 7 907 | 709 328 | €1 484 |
Quatro cautelas, todas elas do próprio ficheiro de evidência.
A série da população dá um degrau entre 2020 e 2021 e continua a subir depois disso. O ficheiro de evidência não regista qualquer nota que explique esse degrau, e este documento não o lê como migração de um ano; imprime a série tal como publicada. As estimativas municipais de população anteriores a 2011 existem apenas sobre uma base geográfica ultrapassada e não são comparáveis, e é por isso que 2009 e 2010 estão vazios.
A contagem de empresas muda de versão estatística entre 2022 e 2023, quando mudou a classificação territorial, e não há ano de sobreposição publicado a nível municipal para medir a quebra.
A série das dormidas cobre um universo de estabelecimentos que se alargou no início da década de 2010, quando o alojamento rural e local passou a ser incluído, pelo que os primeiros valores não são estritamente comparáveis com os últimos. Não existem valores municipais anteriores a 2011 em qualquer indicador publicado.
O ganho médio mensal vem de três versões sucessivas do indicador, que concordam até ao arredondamento nos anos de sobreposição.
O poder de compra per capita é publicado de dois em dois anos, pelo que tem a sua própria tabela curta. É um índice com a média nacional em cem.
| Ano | Poder de compra per capita |
|---|---|
| 2009 | 118,65 |
| 2011 | 112,47 |
| 2013 | 111,02 |
| 2015 | 116,39 |
| 2017 | 117,31 |
| 2019 | 117,78 |
| 2021 | 111,98 |
| 2023 | 111,47 |
A cultura, nos dois sítios onde pode ser contada
As contas trazem uma série de despesa em cultura para os anos legíveis, e os buracos nela são os já conhecidos: os relatórios de 2012 a 2014 são os ilegíveis, pelo que a série não pode começar antes de 2015; o dossiê de 2020 é digitalizado; 2024 não tem dossiê nenhum. Uma correção, impressa em vez de escondida: a primeira publicação deste documento afirmava que a linha desaparece depois de 2019, porque os relatórios mais recentes reportariam apenas os grandes grupos de funções. Era falso — herdado de uma nota de extração que tinha lido a página do resumo por grupos e parado aí — e foi apanhado quando o vertical companheiro dos pelouros releu os mesmos relatórios e encontrou o quadro completo por função na página seguinte, em 2021, em 2022 e em 2023. O registo de verificação tem o relato completo.
| Ano | Serviços culturais, recreativos e religiosos, pagos no plano |
|---|---|
| 2015 | €101 378 |
| 2016 | €158 246 |
| 2017 | €559 047 |
| 2018 | €286 736 |
| 2019 | €2 854 445 |
| 2021 | €1 769 728 |
| 2022 | €1 965 144 |
| 2023 | €2 046 093 |
| 2025 | €1 782 427 |
O outro sítio onde a cultura pode ser contada é o inquérito do instituto de estatística ao que as câmaras municipais gastam em atividades culturais e criativas. É um conceito diferente, recolhido por outra entidade sobre outra definição, e as duas tabelas não podem ser lidas como uma série. Começa em 2013.
| Ano | Despesa municipal em atividades culturais e criativas |
|---|---|
| 2013 | €2 336 171 |
| 2014 | €2 133 157 |
| 2015 | €1 341 323 |
| 2016 | €3 642 920 |
| 2017 | €1 789 355 |
| 2018 | €2 196 742 |
| 2019 | €2 864 116 |
| 2020 | €2 987 118 |
| 2021 | €5 281 501 |
| 2022 | €3 581 787 |
| 2023 | €3 556 435 |
| 2024 | €3 065 620 |
A despesa municipal em cultura anterior a 2013 existe nas tabelas do instituto de estatística apenas sob um conceito mais antigo e não comparável, que não foi recolhido.
O que o plano de 2026 diz
O mandato instalado em 2025 ainda não pode ser avaliado por contas. O seu primeiro orçamento, porém, existe e é público: as Grandes Opções do Plano e Orçamento para 2026, publicadas pelo município. O que se segue é o que esse documento diz, e não o que aconteceu. Nada dele foi executado à data em que isto se escreve, e as contas que o irão testar são as de 2026.
Um aviso antes dos valores, e é a razão das adagas. O corpo do relatório do plano extrai com limpeza. Os seus anexos — o plano plurianual de investimentos e o plano de atividades, onde vivem as linhas dos projetos — são uma camada digitalizada em que dígitos e designações são frequentemente ilegíveis. Cada valor abaixo que saiu dessa camada vai marcado com †, e a sua linha do ledger regista a recuperação: a leitura usada, a segunda passagem independente que concordou com ela, e a aritmética das próprias colunas do quadro que fecha sobre ela. As linhas que não foi possível recuperar honestamente estão ausentes, em vez de adivinhadas.
O tamanho disto. O plano fixa a receita e a despesa em €110 840 577 para 2026, um acréscimo de €6 840 577 face ao valor estimado de 2025, que o próprio documento imprime como 6,58%. A despesa com pessoal é €33 344 550 desse total. As transferências para as doze freguesias são €1 531 067, ou 19,01% do conjunto das transferências que o município prevê conceder. E a taxa de IMI que este documento seguiu de 0,45% até 0,43% mantém-se em 0,37% no plano, com uma minoração de 30% para as freguesias rurais.
Os quatro eixos. O plano organiza as suas opções em quatro eixos estratégicos e imprime um envelope para cada um. As designações são as do próprio plano.
| Eixo | Envelope para 2026 |
|---|---|
| I — Dinamizar a Economia Local e Criar Oportunidades | €5 945 901 |
| II — Construir uma Évora mais Justa, Inclusiva e Viva | €11 779 515 |
| III — Valorizar o Território e Preparar um Futuro Sustentável | €35 681 351 |
| IV — Modernizar a Autarquia e Aproximá-la das Pessoas | €12 559 534 |
| As opções do plano, no total | €65 966 301 |
O ano da Capital da Cultura, declarado duas vezes. O plano afirma que €7 470 000 de aquisição de bens de capital estão alocados aos investimentos da iniciativa Capital Europeia da Cultura. O seu próprio anexo de investimentos diz outra coisa. O objetivo que carrega a iniciativa inscreve €14 798 219† para 2026 — dos quais €7 648 219† têm financiamento definido e €7 150 000† não têm. Retirem-se da parte definida as duas linhas desse objetivo que não são aquisição de bens de capital — uma quota de associação e um valor simbólico para um monumento megalítico — e restam €7 647 119†, que ficam €177 119† acima do valor que o relatório declara. Nada do que aqui foi lido explica a diferença. Não foi alisada: os dois valores estão impressos, e a aritmética entre eles está escrita na linha do ledger.
Onde está o dinheiro. Estas são as maiores dotações de 2026 que esta leitura conseguiu recuperar dos anexos do plano. Cada linha leva a adaga, porque cada linha desses anexos teve de ser recuperada. As linhas dos projetos da Capital da Cultura não estão repetidas aqui — pertencem ao parágrafo acima — e, fundido nesta lista, o Rossio de São Brás ficaria no topo dela.
| Linha, como o anexo a designa | Dotação para 2026 |
|---|---|
| Amortizações de empréstimos bancários de médio e longo prazo | €4 632 806† |
| Hospital Central do Alentejo — acessibilidades | €4 008 561† |
| Requalificação da rede viária do concelho | €3 120 507† |
| Plano Local de Habitação | €1 830 250† |
| Bairros Comerciais Digitais | €1 277 776† |
| Iluminação pública e sistema de videovigilância | €1 000 000† |
| Estratégia de eficiência energética do Alentejo Central | €897 218† |
| Sistema integrado de trânsito, transportes e estacionamento | €885 441† |
| Projetos LIFE | €836 254† |
| PRR — regeneração urbana | €823 326† |
A primeira linha desse quadro não é investimento de todo. É serviço da dívida — a amortização dos empréstimos bancários que este documento seguiu durante quinze anos — inscrito dentro do plano de investimentos, e é a maior linha do quadro.
O plano discorda de si próprio em três sítios. Estão impressos porque um documento que não consegue somar os seus próprios totais é, ele mesmo, um facto sobre o documento, e porque quem for conferir estes valores contra a fonte vai encontrar os três.
- Transferências a conceder. O texto corrido dá €8 053 390, e as sete linhas do quadro somam exatamente isso. A linha de total do próprio quadro imprime €8 653 390†.
- Impostos diretos. O quadro do orçamento e o quadro-resumo dão os dois €15 759 100†; o texto corrido da mesma página dá €15 759 200†.
- Eixo I. O texto dá €5 945 901, que é o que somam as duas linhas de intervenção do eixo no quadro; a linha de total desse mesmo quadro imprime €5 946 901 para o eixo.
Orçamentado e financiado não são a mesma coisa. O anexo de investimentos separa, linha a linha, a parte de 2026 cujo financiamento está definido da parte cujo financiamento não está. Três linhas carregam quase todo o significado.
- A requalificação do Rossio de São Brás é a maior dotação de 2026 recuperada do plano: €9 500 000† para o ano, dos quais €2 350 000† têm financiamento definido. O resto dela é a totalidade do financiamento não definido do objetivo da Capital da Cultura para o ano — o mesmo valor, concentrado numa linha (inferência; o plano imprime os dois montantes, não a identidade entre eles).
- A via de acesso ao novo hospital central do Alentejo regressa em €4 008 561†. As últimas contas publicadas são as de 2025 e, nelas, a rubrica de cooperação técnica que carrega o protocolo dessa via está em €5 013 000 sem nada recebido contra ela no ano. Para 2024 não existe documento de contas algum onde ler um ano anterior.
- O Plano Local de Habitação inscreve €1 830 250† para 2026, dos quais €256 407† têm financiamento definido, contra um compromisso plurianual de €34 515 587† na mesma linha.
Orçamentar dinheiro que entidades de fora ainda não comprometeram, e depois não o receber, é o mecanismo que o documento companheiro deste repositório aponta para as taxas de execução em queda dos últimos anos. O plano de 2026 inscreve-o outra vez (inferência; o plano afirma cada linha e cada repartição de financiamento, e não afirma padrão algum).
O que concluir disto
Tudo o que está acima é o registo; esta secção é uma leitura dele, acrescentada a pedido do dono e assinada pelo seu autor. Foi escrita pelo modelo que dirigiu e verificou este documento, e não pelo que o montou — o construtor e o signatário são sistemas diferentes, que é a disciplina de revisão deste repositório aplicada à opinião tanto como ao facto. Cada valor nela repete uma linha do ledger já impressa acima; as ligações são interpretação e dizem (inferência) onde vão para lá do registo.
Uma história, três capítulos. O registo lê-se como um arco contínuo: um município que entrou no período a pagar aos seus fornecedores em dois anos (755* dias), cuja verdadeira dívida herdada ainda estava a ser descoberta anos depois — €82 871 523 medidos duas semanas após a mudança de executivo de 2013 e €95 082 510 na reexpressão final — e que depois passou uma década a desbastar a montanha, com o excesso sobre o teto legal a cair de €32 559 910 para nada até 2020. No último mandato o desbaste parou e a fila voltou a alongar-se: 22 dias em 2023 e depois 137 em 2025, com pagamentos em atraso de €4 976 172. A mudança de executivo de 2025 entrega um município que é legal, apertado de tesouraria, e com €54 379 035 de dívida (inferência; cada valor está na sua própria secção acima).
O que cada partido pode de facto reclamar. O mandato do PS de 2009–2013 é dono da maior decisão do período — a entrada no PAEL, €32 166 372 — e os seus próprios anos são os que menos registo deixaram neste documento: os relatórios que contariam o seu lado são os ilegíveis. Isso é, em si, um facto de governação — os anos que mais precisam de explicação são os pior documentados (inferência). Os anos de maioria da CDU são donos do saneamento: o empréstimo de saneamento financeiro de €32 500 000, os acordos da água, e uma disciplina verificada de fora do município — o índice do regulador cai de 242,6% para 105,5% sem uma interrupção na tabela. O custo ficou onde o amortecedor fica sempre: o investimento tocou o mínimo da sua série (€2 255 111 em 2017) antes do seu máximo (€7 537 452 em 2021). O mandato da CDU em minoria é dono do título de Capital da Cultura, converteu a dívida antiga da água em dívida bancária, e para lá disso pouco conseguiu fazer passar; os sinais de aperto voltaram e um ano de contas ficou por assinar. Se esse capítulo se lê como pior governação ou como governar sem votos é uma distinção que o registo não consegue fazer, e este documento não finge que consegue (inferência).
Os índices recusam a pergunta partidária. O stock de desemprego de dezembro caiu de 3 720 para 1 596 ao longo do período; as dormidas passaram de 312 696 para 709 328; o ganho médio de €940 para €1 484. Os três moveram-se com as marés nacionais — o boom do turismo, a subida em escada do salário mínimo — e nada do que aqui foi lido fornece o contrafactual que recortaria a parte de cada executivo neles (inferência). Uma série acaba abaixo de onde começou: o poder de compra per capita, 118,65 na primeira edição da janela, 111,47 na última, atravessando executivos de várias cores. Se há um índice que merece a atenção do próximo mandato, é esse (inferência).
A lição mais afiada é institucional, e não partidária. A aritmética de mandatos que deixou um executivo de dois mandatos governar quatro anos é a mesma aritmética que deixou cinco votos rejeitar um ano de contas. Neste registo, as maiorias produziram um saneamento sem recuos; a minoria produziu um saneamento parado e um ano por assinar (inferência; as secções de mandato acima têm a evidência das duas metades). O executivo instalado em 2025 tem três mandatos em sete.
O que verificar a seguir, uma linha para cada. A taxa de execução de 2026, contra a série descendente que o documento companheiro tabela. Se a fila dos fornecedores vira antes de tudo o resto. Se o ano da Capital da Cultura aparece nas tabelas de cultura acima ou nos livros de outras entidades. As taxas de execução do Rossio de São Brás e da via de acesso ao hospital quando as contas de 2026 aparecerem, contra as dotações que a secção do plano imprime para ambos. Como vota a assembleia municipal essas mesmas contas de 2026, dada a repartição de mandatos acima. E o próximo ficheiro do regulador: o índice está em 105,5%, e descer abaixo de cem seria o verdadeiro fim da era do resgate (inferência).
Acrescentado no mesmo dia, depois de uma segunda escavação. Três ligações ficaram mais afiadas depois da primeira publicação. A fila de pagamentos segue os empréstimos: colapsou depois de cada consolidação — 755* dias antes do empréstimo de 2016 e 89 depois dele, 22 em 2023 — e o seu atual regresso a 137 está a acontecer sem empréstimo de consolidação algum que compre alívio (inferência; cada valor está nas tabelas acima). As pessoas do município e a sua despesa com pessoal contam duas histórias diferentes: os efetivos caíram durante uma década enquanto a remuneração subia, e depois um ano — 2022 — acrescentou trezentos e seis trabalhadores com as escolas transferidas, pelo que o degrau da despesa com pessoal na tabela das finanças é sobretudo gente a chegar, e não o efeito isolado das atualizações salariais (inferência). E o primeiro plano do executivo que entrou repete o mecanismo mais antigo deste registo: a sua maior linha leva €9 500 000† com €2 350 000† de financiamento efetivamente definido; o dinheiro do acesso ao hospital regressa depois de um ano cujas contas registam o protocolo que o sustenta a receber nada, e depois de um ano que nunca chegou a ter contas; e o plano de habitação inscreve €34 515 587† ao longo dos anos, com €256 407† definidos para 2026. A distância entre orçamento e dinheiro não é um hábito do passado; está agendada para as primeiras contas do novo mandato (inferência).
Método, e como verificar este documento
Fontes.
- **Prestação de contas e relatórios de gestão, Câmara Municipal de Évora, anos de contas 2010 a 2024** — os relatórios de gestão e os seus anexos, cada ficheiro fixado por SHA-256 em
Technical Source/raw/accounts_history/. Os relatórios de 2010 a 2014 e todo o dossiê de 2020 não têm camada de texto utilizável; não se correu OCR, por regra, e os buracos que daí resultam aparecem como lacunas em vez de preenchidos. - Prestação de contas 2025 e a opinião do auditor sobre ela — transportadas do documento companheiro *Évora — Orçamentado, Pago, Devido 2025* neste repositório, com os seus URL de origem e carimbos temporais de recolha.
- Evolução do endividamento total por município, DGAL — a série independente de dívida do regulador e os índices de dívida dela derivados, também transportados do documento companheiro com a sua proveniência e derivações originais.
- Resultados eleitorais oficiais — os pontos de acesso estáticos de resultados da secretaria-geral do ministério da administração interna para cada eleição, e os mapas definitivos publicados no Diário da República, obtidos para o cruzamento.
- Séries socioeconómicas municipais — os indicadores municipais do instituto de estatística para população, empresas, dormidas, poder de compra e despesa municipal em cultura; os ficheiros por concelho do instituto do emprego para o desemprego registado; o inquérito de ganhos do ministério para o ganho médio mensal.
- **Quadros de pessoal dos relatórios de gestão de 2022 e 2023** — a série de efetivos, a desagregação por grupo profissional e as admissões e saídas desses dois anos, lidas dos mesmos PDF fixados que o resto das contas.
- **Resultados da assembleia municipal e das freguesias, 2025** — os pontos de acesso estáticos da secretaria-geral do ministério da administração interna para o boletim da assembleia no concelho e para a votação da câmara em cada uma das doze freguesias.
- **Grandes Opções do Plano e Orçamento 2026** — o plano e orçamento que o município publicou para 2026, o mesmo ficheiro que o documento companheiro fixa por SHA-256. O corpo do relatório extrai com limpeza; os anexos de investimentos são uma digitalização degradada, e cada valor deles recuperado leva aqui uma adaga.
A cadeia de extração. Três agentes de evidência produziram os ficheiros em bruto sob Technical Source/raw/: um leu os quinze anos de contas e registou, para cada indicador, o valor, o ficheiro, a página e a linha textual de onde veio; outro obteve os resultados eleitorais oficiais e a cronologia das presidências e registou os resíduos do cruzamento e as questões em aberto; outro obteve as séries socioeconómicas e registou, série a série, os códigos de indicador, as versões, as verificações de sobreposição e os anos que não existem. Nenhum deles escreveu prosa. Uma quarta etapa — o construtor ao lado deste documento — transformou esses ficheiros em linhas do ledger, e verifica em vez de confiar: um valor de contas tem de aparecer entre os números da própria linha que o agente citou; um valor que o agente não citou é procurado por agulha no texto extraído do PDF de origem, tem de ter exatamente uma correspondência, e tem de aparecer na janela correspondida; um valor eleitoral ou estatístico é lido do JSON por caminho de campo. Uma linha que falhe qualquer destas verificações interrompe a construção, e nada é escrito.
A segunda escavação. Três ficheiros de evidência foram acrescentados depois de este documento ter sido publicado pela primeira vez — os quadros de pessoal, os resultados da assembleia e das freguesias, e o plano de 2026 — e correm sob as mesmas disciplinas, com uma extensão. Um valor de pessoal tem de estar entre os números da linha que o agente citou E essa linha, normalizada nos espaços, tem de ocorrer exatamente uma vez no texto extraído do próprio relatório de origem: as duas verificações aplicadas à mesma linha. As contagens por freguesia são calculadas aqui a partir dos doze ficheiros oficiais, e cada linha calculada nomeia as freguesias que contou. Um valor do plano de 2026 tem de aparecer no excerto que o agente registou; onde a digitalização do anexo destruiu a linha, tem de aparecer antes na nota de recuperação dessa entrada — a nota que diz que segunda leitura concordou e que soma do próprio quadro fecha — e então imprime-se com uma adaga, marcador imposto nos dois sentidos pela verificação de sanidade, tal como o asterisco comparativo.
Lacunas, declaradas em vez de preenchidas. Os relatórios de 2010 a 2014 e o dossiê de 2020 são ilegíveis, pelo que cinco indicadores faltam para 2010 e 2011 e vários faltam ou são comparativos para 2012 e 2013, para 2014 e para 2020. Não existe nenhum documento de contas de 2024. As séries municipais de população e de dormidas não existem antes de 2011, e a despesa municipal em cultura não existe no conceito atual do instituto de estatística antes de 2013. O nome legal completo do presidente interino é [verify]. A data exata da instalação do mandato de 2009 não foi fixada a partir de uma fonte oficial. A série de efetivos começa em 2012, porque é aí que começa o quadro dos próprios relatórios. O resultado da assembleia de 2021 assenta somente no portal de resultados, que publica contagens provisórias, pelo que não é impresso. A maior parte das linhas dos anexos de investimentos do plano de 2026 não foi recuperável da digitalização, e as que foram estão marcadas. Nenhum destes buracos foi preenchido por estimativa.
Como verificá-lo. Cada número acima resolve-se a partir de ledger.json por identificador; o texto-modelo ao lado deste ficheiro não contém dígitos próprios, e a construção recusa-se a escrever se um marcador ficar por resolver. Cada linha do ledger leva o URL da sua fonte, o carimbo temporal da recolha, o texto exato correspondido ou o caminho JSON, a sua banda de sanidade, as entidades a que pode ser creditada e — quando é transportada do documento companheiro ou lida de uma coluna comparativa — uma nota que o diz. O portão de commit do repositório reconcilia as duas edições deste documento contra esse único ledger, verifica atribuições, afirmações quantificadas e adjacência de números, mantém o markdown e o HTML fiéis um ao outro, e corre as bandas de sanidade. O que os portões não conseguem verificar — se uma frase lê mal a sua fonte — é o trabalho da revisão de verificação que se segue, por agentes que não escreveram este documento.